sexta-feira, 31 de julho de 2009

Magda vai processar Yeda

Como já tinha afirmado no dia 8 de julho passado, quando esteve na Assembleia conversando com os deputados Raul Pont, Paulo Azeredo e Gilmar Sossella, a empresária Magda Koenigkan, viúva de Marcelo Cavalcante, vai processar quem vem tentando desmoralizá-la. Os primeiros da lista são Marcos Cavalcante, irmão de Marcelo, e a governadora Yeda Crusius.

Magda esteve em Porto Alegre ontem (30), quando se reuniu com seu advogado para tratar dos processos. Segundo Matias Nagelstein - defensor da empresária -a primeira ação está em fase final de elaboração e a segunda ainda em preparação.

No encontro, Magda voltou a dizer que o marido não tirou a própria vida: "não quero saber nem quem foi, mas a razão de Marcelo ter sido morto", afirmou.

A pauta da semana


Com o fim do recesso parlamentar, um dos assuntos que deve pautar os debates no plenário é o depoimento prestado pelo ex-presidente do Detran à Polícia Federal e ao Ministério Público.

Sabe-se que Sérgio Buchmann acrescentou novos fatos sobre o conjunto de irregularidades constatadas na autarquia e revelou que o ex-marido da governadora, Carlos Crusius, demonstrava um interesse não protocolar pelos contratos mantidos pelo Detran.

O conteúdo das revelações é grave - ao concluir sua fala Buchmann, inclusive, rasgou e queimou a papelada onde estava o resumo das informações - e pode determinar a abertura de uma nova investigação da PF no Detran, o que será analisado na próxima semana.

Outra instituição que manifestou interesse pelo depoimento de Buchmann foi o Ministério Público de Contas. O procurador geral do MPC, Geraldo da Camino, quer saber o que o ex-presidente do Detran falou sobre o contrato e a dívida com a Atento Service e solicitou ao superintendente da PF, Ildo Gasparetto, cópia da degravação do depoimento de Buchmann.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

"Marcelo não está mais entre nós porque não quis mudar de lado…”.


Quem ouviu estas palavras, ditas com todas as letras pelo irmão de Marcelo Cavalcante no programa Bom-dia, da Rádio Guaíba, não precisou nem juntar dois neurônios para concluir que, no entedimento de Marcos Cavalcante, a morte do ex-chefe do escritório político do Rio Grande do Sul em Brasília tem conotação política.

Sem querer, a entrevista, concedida a Rogério Mendelski, acabou ratificando a tese defendida pela viúva de Cavalcante, Magda Koenigkan, que nunca acreditou em suicídio e não descarta a possibilidade do marido ter sido assassinado.

Em análise publicada no blog 'RS Urgente', o ex-ouvidor geral do Estado Adão Paiani observa que a entrevista foi um tiro no pé da governadora Yeda Crusius: "na ânsia por livrar a cara da progenitora maior do Estado, tentando desqualificar quem se contrapõe a ela, alguns dos seus fiéis amigos da mídia acabam encalacrando ainda mais a dita cuja. Com o nível e a competência desse time de apoiadores, Yeda não precisa de inimigos. Eles adoram poupar o trabalho da oposição. O depoimento do Marcos Cavalcanti no Mendelski foi um legítimo tiro nos dois pés da patética governadora", argumentou Paiani.

Bem, o recado de Marcos para aqueles que não querem arcar sozinhos com o ônus das operações pouco ortodoxas difundidas na gestão tucana foi claro: não mudem de lado, caso contrário podem fazer companhia ao rebelde Marcelo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Onde está Yeda?

Clique na imagem para procurar a governadora

A governadora Yeda Crusius resolveu aproveitar o mês de julho para brincar de Wally com os gaúchos. Sua agenda não é divulgada pelo Palácio Piratini desde a última quarta-feira (22) e seu paradeiro é desconhecido. Ontem, quando sua assessoria acreditava que a tucana estava no Palácio das Hortênsias, em Canela, ela apareceu de surpresa no Piratini.

Depois da incerta, ninguém sabia dizer onde a governadora passaria a noite, se em Porto Alegre ou em Canela, onde estão a filha e os netos. Para disfarçar o constrangimento, integrantes do Executivo alegaram que não dar satisfação pública em momentos de descanso faz parte da personalidade de Yeda.

Só que o chamado 'descanso' não é tratado oficialmente como férias. Tanto é que Yeda esteve no Piratini nesta segunda-feira onde, segundo a imprensa, permaneceu até às 20horas.

Resta concluir que não dar satisfação pública em momentos de trabalho também faz parte da personalidade de Yeda.

Yeda não quer ser incomodada

A situação do governo gaúcho chegou a tal ponto de deterioração que a competência técnica e a capacidade política deixaram de ser critérios para escolha dos secretários e assessores mais próximos de Yeda Crusius.

Segundo um interlocutor do Palácio Piratini, as mudanças que a governadora pretende fazer entre o secretariado e colaboradores mais chegados obedece a um único princípio: os novos ocupantes destes cargos "não devem incomodar".

Mais 300 assinaturas

Em Osório, onde esteve na última quinta-feira (23), a deputada Stela Farias recebeu mais 300 adesões ao abaixo-assinado que pede a abertura da CPI da Corrupção. Os apoios foram recolhidos por professores e servidores das escolas estaduais.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Fragilidade estrutural ou espírito do mal?


Interessante a abordagem que o Blog Diário Gauche faz de matéria publicada ontem (23) pelo jornal Zero Hora sobre o Detran. Segue o comentário:

"Quando um jornal não quer informar, faz como Zero Hora. Vejam a matéria intitulada “Uma autarquia do barulho”, na edição de hoje do diário da RBS. Além de se tratar de um texto escrito com o dedão do pé, parece alguma coisa sobre bloco de sujo do carnaval. O Detran é do “barulho”, para o jornal ZH. Que meiguice.

É uma “missão espinhosa” para o Palácio Piratini (o sujeito da oração é o Palácio, pasmem) manter alguém à frente do Detran.

“As conclusões da Operação Rodin indicaram uma fragilidade estrutural, que ajuda a explicar por que os presidentes do Detran não duram muito tempo no cargo”. Fragilidade estrutural? Os caras roubam quase 50 milhões de reais e o jornal (desinformativo) chama de “fragilidade estrutural”. Só falta constatar que há um feitiço no Detran, e por esse motivo – plenamente justificado, à luz da razão e de métodos científicos avançados –, os presidentes da autarquia são ejetados de suas cadeiras institucionais. “Especulações mais ousadas apontam que pode tratar-se da existência de pregos na cadeira da presidência do departamento encarregado do trânsito” - poderia ser uma linha de trabalho do jornal ZH, emprestando um ar misterioso à edição de hoje.

Mais adiante, o texto fica mais atrevido: “Pela tese dos agentes federais, grupos criminosos se apoderaram de determinados contratos...”.

Que coisa! Sério, agentes federais constroem teses? Grupos criminosos se apoderam de contratos? Tudo muito estranho. Que grupos criminosos seriam esses? Seriam gangues de “bebês japonêses”? Seriam quadrilhas de “bêbados de porta de bar”? Ou talvez “comunistas infiltrados”, os mesmos que teriam provocado a morte de Marcelo Cavalcante, segundo o primeiro-ex-marido, Carlos Crusius? Pode tratar-se, também, de “perseguidores macarthistas”? Ou os “inimigos do déficit zero”? Ou a temível máfia dos “montadores de frágeis palanques” que há semanas cometeram um atentado covarde contra a governadora? Quem sabe as "torturadoras de criancinhas"?

Muito bem. Nós fizemos a nossa parte. Apontamos diversos suspeitos de terem se apoderado de “determinados contratos” do Detran.

Que tal, agora, os editores do jornal ZH reunirem dois ou três dos seus consagrados repórteres investigativos e mandá-los a campo para que nos revelem a verdade límpida e fria sobre o Detran/RS?

Mal podemos esperar."

De malas prontas


Walna Meneses, braço direito da governadora, está de malas prontas para dar o fora do Rio Grande do Sul. Só que ela não deixará o governo, pois é cotada para integrar os quadros do Escritório de Representação do Rio Grande do Sul, a mesma repartição que foi dirigida por Marcelo Cavalcante.

Walna é aquela que foi flagrada pela Polícia Federal numa suspeita conversa telefônica com a lobista de uma das empresas envolvidas em fraudes de licitações para construção de barragens.

Te liga, base aliada

São fortes os boatos nos corredores da Assembleia Legislativa de que o controvertido chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius será despachado para prestar serviços à bancada do PSDB no parlamento gaúcho. Ricardo Lied, apesar de contar com grande apreço da governadora, está na corda bamba depois do mal-explicado episódio da prisão do filho do ex-presidente do Detran, Sérgio Buchmann.

É bom que a base governista fique atenta para não ser surpreendida com as visitas noturnas que o chefe de gabinete de Yeda costuma fazer.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Magda nunca acreditou em suicídio


A decisão do Ministério Público de pedir novo exame nos laudos e documentos produzidos pelo IML a respeito da morte de Marcelo Cavalcante deve ter sido recebida com alívio por Magda Koenigkan.

A viúva do ex-chefe do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, que nunca acreditou na tese do suicídio, afirmou, quando esteve em visita à Assembleia Legislativa, que estava empenhada em esclarecer todas as incógnitas que cercam a morte de Cavalcante e citou um hematoma no rosto do marido e a inexistência, no corpo do tucano, de sinais presentes em casos de afogamento, como fatos que precisavam ser melhor explicados. Magda ainda revelou que a gravação da câmera de segurança instalada na ponte de onde Marcelo Cavancante teria se atirado não mostra ninguém caindo. Ela também lembrou que o dia apontado como sendo o do suicídio era um domingo de sol e que o Lago Paranoá estava lotado. Mas, estranhamente, nenhuma pessoa viu nada.

O promotor que está acompanhando o inquérito acredita que a nova perícia é importante para esgotar todas as possibilidades.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Secretário da Transparência manipula a verdade


As afirmações do secretário da Transparência sobre o episódio em que o chefe de gabinete da governadora foi flagrado conversando com o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Lajeado Márcio Klaus (PSDB) sobre a ficha do ex-deputado Luis Fernando Schmidt (PT) mostram um completo desrespeito com a povo gaúcho.

Para Francisco Luçardo a palavra ficha foi apenas um modo de expressão usado por Ricardo Lied no diálogo com Klaus, que, aliás, é seu primo. "Não existia ficha nenhuma naquele episódio. Lied simplesmente conhecia Schmidt. Ele apenas fala em ficha como modo de dizer", declarou Luçardo quando questionado pela imprensa.

Não adianta o secretário tapar o sol com a peneira. A transcrição do conteúdo do telefonema, interceptado com autorização judicial, mostra que Ricardo Lied violou de fato o Sistema Integrado de Informações da Secretaria de Segurança, pois ele comentou que na ficha de Schmidt só tinha o registro de perda de documentos. Bem, se Lied simplesmente conhecia o petista, como justifica Luçardo, não tinha como saber desta informação.

Não é questão de colocar chifre em cabeça de cavalo, como alega Luçardo, mas de dar nome aos bois.

A luta continua


Os integrantes da juventude petista, que estiveram ontem na escola Inácio Montanha, receberam mais de 200 adesões ao abaixo-assinado que pede a abertura da CPI da Corrupção. Toda comunidade escolar participou, entre professores, estudantes e funcionários da escola.

Conforme Miguel Idiart, membro da juventude do PT, as professoras estavam indignadas com o comportamento da governadora Yeda Crusius, que os comparou com torturadores. Também reclamaram do chefe de gabinete da governadora, que esteve na casa do presidente do Detran para pedir que este avisasse o filho que a polícia estava no seu encalço.

Depois da banca com os estudantes, o pessoal foi para o mercado público, onde mais 100 pessoas assinaram o documento.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sem férias

A juventude petista não entrou de férias. Hoje, às 13h, eles estarão em frente ao colégio Inácio Montanha para recolher assinaturas ao manifesto pró-CPI da Corrupção. Às 15, a movimentação será no Mercado Público, quando os militantes estarão passando o abaixo-assinado no centro de Porto Alegre.

Isto tem que ter fim


Para o presidente do Detran, Sérgio Buchmann, o chefe de gabinete de Yeda Crusius, Ricardo Lied, estava lhe preparando uma cilada quando foi até sua casa pedir que avisasse seu filho da prisão iminente.

Lied nega que seja do mal e diz que queria apenas evitar uma tragédia.

Já o delegado que acompanhou o chefe de gabinete da governadora à residência de Buchmann, Luis Fernando Martins de Oliveira, diz que achava que Fábio Buchmann, o filho do presidente do Detran, estava na casa do pai e que faz parte da rotina policial pedir ajuda a familiares para efetuar uma prisão.

E o secretário de Transparência, há 11 dias no cargo, não quer falar sobre o assunto.

O último escândalo envolvendo o alto escalão do Palácio Piratini segue a mesma lógica dos anteriores: ninguém sabe de nada, todo mundo é do bem, a culpa é da oposição e é desnecessário qualquer explicação.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

CPI já

Desta vez, é a Câmara de Vereadores de Porto Alegre que está se manifestando em favor da instalação da CPI da Corrupção na Assembleia Legislativa. No dia 9 de julho, os vereadores aprovaram moção de apoio à abertura da comissão de inquérito no parlamento gaúcho. O requerimento é de autoria da vereadora Maria Celeste (PT).

Diversas Câmaras do interior já se manifestaram também. Não é por falta de apoio popular que o pedido de abertura da CPI está estacionado com 17 assinaturas.

Ao estilo da máfia

Adão Paiani, ex-ouvidor da Segurança da Yeda, homem que conhece bem Ricardo Lied, fala sobre o episódio em que o presidente do Detran foi avisado pela polícia de que seu filho seria preso por tráfico: “Ele (Lied) continua delinqüindo e fazendo o serviço sujo para a chefe da camarilha, que pensou haver achado um meio de se livrar dele (de Buchmann), aproveitando-se de um drama familiar ao melhor estilo mafioso”.

PT quer apuração do Ministério Público

A bancada do PT vai pedir para autoridades apuração sobre o envolvimento do chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius, Ricardo Lied, no episódio da prisão do filho do presidente do Detran, Sérgio Buchmann. Serão encaminhadas representações ao Ministério Público de Contas e à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Além disso, serão solicitadas providências da Secretariade Transparência.

Muito mistério e nenhuma explicação

A prisão do filho do presidente do Detran, Sérgio Buchmann, reacendeu velhas suspeitas de que interesses escusos continuam rondando a autarquia, da qual foram desviados mais de R$ 44 milhões. O episódio encorpou a já vasta lista de explicações que o governo do Estado deve à sociedade gaúcha.

Tudo indica que Buchmann entregou o filho de bandeja à execração pública, ao divulgar para a imprensa sua prisão, porque acreditava estar sendo vítima de uma armadilha. Mas, afinal, quais as circunstâncias que o levam a pensar assim? Quem montou a arapuca? Que interesses ele estaria contrariando?

À imprensa, o presidente do Detran disse que “bateu de frente” com Atento, empresa responsável pelo serviço de guincho e que pressiona o Estado a reconhecer uma dívida milionária e bastante questionável. Teria a prestadora de serviços aumentado o nível de pressão sobre Buchmann a ponto de justificar o “fundado receio” do comandante da autarquia? Quem é, afinal, o dono desta empresa?

O fato de o chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius, Ricardo Lied, acompanhar os integrantes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) que foram avisar Buchmann de que seu filho seria preso torna o episódio ainda mais suspeito. Lied é aquele que violou o Sistema Integrado de Informações da Polícia para bisbilhotar a vida do ex-deputado Luís Fernando Schmidt, então candidato a prefeito de Lajeado pelo PT.

Realmente, o governo tucano e seus integrantes não param de surpreender. Está na hora de começarem a dar respostas.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Imagens que falam por si




























Fotos: Roberto Vinicius

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A que veio?

A Associação dos Procuradores do Estado vai pedir a extinção da Secretaria de Transparência. Embora a argumentação oficial seja a sobreposição de funções com a PGE- a qual já caberia a fiscalização dos atos do governo- o vice-presidente da entidade, Telmo Lemos Filho,admitiu que a saída de dois titulares em sete meses de existência da pasta - Carlos Otaviano Brenner de Moraes e Mercedes Rodrigues - pesou na decisão.“ A Pasta não está conseguindo dizer a que veio', reclamou. A impressão dos procuradores é partilhada pela maioria da sociedade gaúcha.

Amigos para sempre

O PMDB deve definir hoje ao meio-dia, em almoço na Assembleia, o prazo de permanência no governo estadual. O presidente do partido, senador Pedro Simon, defende o desembarque num período de “normalidade”. Se valer a recomendação do senador, a sigla deve ficar exatamente onde está até o final da gestão.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Lideranças estudantis entregam abaixo-assinado pedindo CPI

Na última sexta-feira (12), a deputada Stela Farias recebeu lideranças estudantis que tomaram a iniciativa de recolher assinaturas pela instalação da CPI para investigar denúncias de corrupção no governo Yeda. O presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Anchieta, Thiago Conceição, e o diretor cultural do Grêmio Estudantil do Colégio Rosário, Mateus Machado, ambos com 16 anos, solicitaram o encontro com a parlamentar para oficializar a entrega das assinaturas coletadas. Eles acessaram o blog Zero Corrupção, baixaram o modelo do documento e reuniram cerca de 200 assinaturas com a intenção de sensibilizar aqueles parlamentares que ainda não encontram motivo para completar o requerimento de criação da CPI .

A loba atucanada

A suposta defesa da governadora das acusações que pesam contra as irregularidades na compra de sua casa e do resto da roubalheira de seu governo ( Detran, Irrigação, et alli) é uma acusação esdrúxula aos opositores. “ A polícia Federal e o Ministério Público estão trabalhando”, praticamente é isso que ela disse na longa entrevista que deu a TV Record no último domingo(12) e ao resto da imprensa gaúcha na segunda-feira(13).

A acusação contra a deputada Luciana Genro(PSOL) e seu pai, ministro da Justiça Tarso Genro (PT) é pior ainda. É uma analogia da história da “ Loba e a Cordeira”.

Na entrada da casa supostamente limpa, uma loba atucanada encontrou uma cordeirinha que apontava manchas de sujeiras . Imediatamente saiu acusando:
- Foste tu que sujou minha casa por isto vou te comer.
- Não, - disse a cordeirinha de cabelos cacheados - apenas reparei que realmente estava muito suja esta casa. Por isso estava mostrando aos meus amiguinhos.
- Se não foste tu, então foi teu pai – decidiu a loba desvairada - e deu um bote para pegar a vítima, mas acabou mordendo o próprio rabo.

Pérolas falsas


Chega a ser engraçada a entrevista que a governadora concedeu nesta segunda-feira à TV Com em que ela aprofunda e “explica” as críticas que dirigiu à Polícia Federal e ao ministro da Justiça. Mais de uma vez, o repórter pergunta se Yeda Crusius está acusando Tarso Genro de fomentar denúncias de corrupção contra a sua gestão, ao que ela responde em termos de “fiz que fui, não fui , mas acabei fondo”. Lá pelas tantas, outra bicada torta da tucana. Quando questionada sobre as razões de não afastar secretários indiciados ou sob investigação, pronunciou, textualmente: “ Parece que há prazer em algumas áreas que não são democráticas ou que não têm ferramentas de transparência. Tentam ficar permanentemente dando uma esfaqueadinha”. Peraí um pouquinho!! De que ferramentas de transparência ela estava falando? Daquele site de prestação de contas e ações do governo que ela prometeu e nunca saiu do papel? Da Secretaria Estadual de Transparência que não consegue segurar titulares, que abandonam o posto queixando-se da falta de apoio para implantar medidas de...transparência?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Loucademia de Política I

Procura-se....

Incrédulo, o povo gaúcho quer saber a identidade do autor da última brilhante estratégia
usada pelos inquilinos do Palácio Piratini para se livrarem de denúncias de corrupção. Na última sexta-feira (10), o Rio Grande foi surpreendido por uma jogada de mestre: alguém forjou uma carta do ex-coordenador da campanha de Yeda Crusius, negando o conteúdo do depoimento prestado ao Ministério Público Federal e publicado pelo jornal Zero Hora.

Inacreditavelmente, a falsa missiva foi distribuída à imprensa dentro próprio Palácio Piratini. Não se sabe ainda por que a tramóia não resistiu dois segundos: foi desmentida, imediatamente, por Lair Ferst e seu advogado.

Equilíbrio e lógica


Alheia à gravidade das denúncias que assombram a administração tucana, a governadora elegeu o ministro da Justiça como bode expiatório. Segundo Yeda Crusius, Tarso Genro é o responsável pelo vazamento de informações. Na visão a governadora, está tudo esclarecido. Assim, ela promete virar a página e, enfim, investir numa agenda positiva, a 18 meses do término do seu mandato.

Incrédulo com as palavras da madatária, o líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, Elvino Bohn Gass, disse que “a governadora precisa recuperar o equilíbrio, responder com lógica as denúncias que são atribuídas ao seu governo e se concentrar na manutenção dos poucos serviços públicos que ainda não foram sucateados pelo novo jeito de governar”.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mais de Magda

O último a sair apague a luz

A governadora Yeda Crusius não pode se queixar de tédio. Depois de um dia agitado ontem, quando o Fórum dos Servidores Públicos protocolou na Assembleia pedido para o seu impeachment, a viúva de Marcelo Cavalcante admitiu que vai ingressar na justiça porque entende que sua honra foi ofendida e a Polícia Federal indiciou o secretário de Irrigação, Rogério Porto, hoje o movimento continuou: a PF revelou que o secretário estadual de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento, Marco Alba, também está sendo investigado no âmbito da Operação Solidária e o secretário da Transparência, Carlos Otaviano Brenner de Moraes, oficializou sua renúncia.

Otaviano é o segundo titular da pasta a pedir demissão por não encontrar eco no governo à sua atuação. A primeira, Mercedes Rodrigues, saiu dizendo que a secretaria da transparência tinha apenas uma função decorativa. Otaviano comprovou isto na prática: ele pediu o afastamento da assessora da governadora, Walna Meneses, suspeita de ligação com um esquema montado para fraudar licitações públicas, e a governadora não acatou. Ele sugeriu a abertura de uma sindicância para apurar as denúncias e Yeda também o desrespeitou.

Argumentos esfacelados

Ao comentar o indiciamento pela Polícia Federal do secretário de Irrigação, Rogério Porto, a deputada Stela Farias disse que a realidade está se encarregando de esfacelar o principal pretexto da base governista para não assinar o requerimento de abertura da CPI. “Clamam por provas, mas todos os dias aparecerem novos fatos que ratificam os argumentos para a criação da CPI. O primeiro item que listamos trata justamente das licitações das barragens de Jaguarí e Taquarembó, motivo que gerou o indiciamento do secretário de Irrigação", frisou.

Afastar e investigar

Deputados do PT, PDT e PSB encaminharão ofício na terça-feira (14/07) à Secretaria da Transparência pedindo o afastamento e a abertura de sindicância em relação aos secretários da Irrigação, Rogerio Porto, e da Habitação, Marco Alba. O primeiro foi indiciado pela Polícia Federal por envolvimento em tentativa de fraude de licitações e Alba está sendo investigado pela PF por supostas irregularidades em obras de saneamento que fazem parte do PAC.

De mulher para mulher

Magda Koenigkan não disfarça a forte mágoa que nutre pela governadora pela forma como Yeda Crusius a classificou após a empresária ter confirmado que Marcelo Cavalcante iria depor no Ministério Público Federal no processo que investiga as denúncias de corrupção no Palácio Piratini. "Querem sequestrar a minha honra", disse Magda no encontro que teve ontem com deputados na Assembleia Legisltiva, referindo-se aos comentários maldosos feitos por Yeda Crusius. "Vindo de mulher, é mais cruel", considerou.

Logo após a morte de Cavalcante, Yeda afirmou que tinha visto Magda uma única vez em Brasília e que o comportamento da esposa do então representante do Estado na capital federal não estava à altura do cargo ocupado pelo marido. "Se eu fosse velha, feia e gorda, o que será que ela diria", questionou Magda.

A empresária disse que veio ao Rio Grande do Sul para, além de contatos profissionais, mostrar que é uma mulher empreendedora, mãe de três filhos e não uma aventureira. "Quando eu enfrentava o pior momento da minha vida, tentaram me afundar e desconstituir a minha imagem. Esta forma de fazer política é o que existe de pior", avaliou.

Impressões digitais

A carta que Lair Ferst escreveu para a governadora descrevendo minuciosamente o esquema de desvio de recursos públicos montado a partir do Detran passou pelas mãos de Yeda Crusius.

Apreendida pela Polícia Federal em novembro de 2007, quando a Operação Rodin foi deflagrada, a carta, com três páginas e meia, se tornou pública em junho do ano passado, durante a CPI do Detran.

A governadora negou que tivesse conhecimento do material. A versão oficial é de que Ferst entregou a carta para Mardelo Cavalcante e pediu para o amigo, na época representante do Rio Grande do Sul em Brasília, encaminhar a Yeda. Ainda segundo esta tese, Cavalcante não repassou a carta à governadora porque Ferst não apresentou as provas.

Só que, segundo consta, a perícia teria encontrado as impressões digitais de Yeda Crusius no documento. A governadora pode até dizer que não leu, mas vai ter que admitir que recebeu.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Magda

Após conversar com os deputados Raul Pont, Paulo Azeredo e Gilmar Sossella, a empresária Magda Koenigkan falou rapidamente com os jornalistas. Sem entrar em detalhes para, segundo ela, não atrapalhar as investigações, ela confirmou que entregou os documentos que estavam com Marcelo Cavalcante ao Ministério Público Federal, disse que vai processar quem tenta desmoralizá-la e que não acredita que o marido tenha cometido suicídio.

Sem enrolação

Ao receber o pedido de impeachment protocolado pelo Fórum dos Servidores Públicos, o presidente da Assembleia, Ivar Pavan (PT), garantiu que o "documento não será engavetado". Pavan assegurou que, hoje mesmo, o pedido chegará nas mãos dos procuradores do Legislativo para análise dos requisitos legais. Se tudo estiver ok, o pedido seguirá a tramitação normal.


Insônia

Se alguém citado por Lair Ferst na documentação que o lobista encaminhou ao Ministério Público Federal ainda estava dormindo tranquilo, pode providenciar os calmantes. Em entrevista coletiva concedida no final de manhã de hoje, o advogado de Ferst, Lúcio de Constantino, confirmou que seu cliente possuiu áudios de conversas que são "provas irrefutáveis, fartas e consistentes" das denúncias.

De acordo com o advogado, o material será usado na defesa de Ferst no processo da fraude do Detran "no momento oportuno". Constantino revelou que o MPF ainda não teve acesso a estas provas, "mas deve receber parte das gravações".

Pedido de impeachment

Às 13h30min desta quarta-feira (8), representantes do Fórum dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul irão entregar ao presidente da Assembleia Legislativa, Ivar Pavan (PT), pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius. É a segunda manifestação deste tipo que chega ao parlamento gaúcho, que resiste em instalar a CPI para investigar denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo. O primeiro foi apresentado pelo PSOL.

A ideia já começa a ganhar a simpatia de parlamentares. Ontem, o deputado Cássia Carpes (PTB) sugeriu que a Comissão de Constituição e Justiça analisasse o pedido. Estranhamente, Cássia não assinou o pedido de abertura da comissão de inquérito.

Tornado em formação

Neste momento, a viúva de Marcelo Cavalcante, o ex-ouvidor da Segurança Pública Adão Paiani e o deputado Paulo Azeredo (PDT) estão reunidos, em local secreto, para decidir quando e onde será o depoimento da Magda Koenigkan. Poderá ser hoje ainda ou amanhã. Na Assembleia Legislativa ou na sede da OAB.

As provas estão aí. Agora só falta a CPI

Sempre atento, o deputado Raul Pont acabou com o principal argumento da base do governo para impedir a CPI. Reiteradas vezes, os governistas têm cobrado “provas” para assinar o requerimento. Pois o vice-líder do PT, um leitor atento e detalhista, se debruçou sobre a íntegra do depoimento de Lair Ferst ao Ministério Público Federal e constatou que as denúncias do ex-coordenador da campanha de Yeda são acompanhadas de áudio ou vídeo.

Seguindo a lógica da própria base de sustentação da governadora tucana, agora é só assinar o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito, requisitar o material e verificar sua veracidade.

Não faz sentido

A situação da governadora Yeda Crusius é cada vez mais comprometedora. Não bastasse a avalanche de denúncias de casos de corrupção envolvendo o seu governo – e o tipo de cumplicidade que estabeleceu com as acusações, na medida em que não aceita a investigação dos indícios de irregularidades por parte da Assembleia e protege os suspeitos – a governadora anunciou que não pretende processar Lair Ferst.

Apenas para lembrar, Ferst apontou pelo menos 20 irregularidades cometidas durante a campanha eleitoral e o inicio do governo Yeda Crusius e que envolvem a própria governadora, seu ex-marido Carlos Crusius, assessores, secretários de estado, deputados e empresas. Veja o resumo das denúncias:

1. Recursos de caixa 2 da campanha de 2006 foram usados na compra da mansão da governadora;

2. A governadora recebeu oferta de propina, de R$ 50 mil mensais, do grupo que operava a fraude do Detran e considerou o valor baixo;

3. O início da campanha foi financiado pela doação de R$ 500 mil da empresa SP Alimentação, intermediada pelo então secretário de governo de Canoas, Chico Fraga. A empresa, fornecedora de merenda escolar, é suspeita de envolvimento de fraude no município;

4. Recursos de caixa 2 eram recebidos pelo ex-assessor Marcelo Cavalcante, encontrado morto em fevereiro, e pela atual assessora Walna Meneses;

5. O então marido de Yeda, Carlos Crusius, pegava dinheiro no comitê à noite e levava para o apartamento da candidata. Os recursos nunca mais retornavam;

6. Doação de R$ 400 mil pelas fumageiras Alliance One e CTA após a eleição, uma semana antes da compra da casa da governadora;

7. Marcelo Cavalcante encaminhou à governadpora a carta com denúncias sobre irregularidades elaborada por Ferst, mas nada foi feito;

8. O vice-presidente do Banrisul, Rubens Bordini, recebeu R$ 170 mil em propina no gabinete do presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luis Vargas, em nome da governadora.

9. Delson Martini era o interlocutor da governadora para receber propinas e repassava orientações a Flavio Vaz Netto e Antônio Dorneu Maciel sobre a divisão da propina. Martini, em nome de Yeda, procurou Lair Ferst e ofereceu R$ 70 mil mensais para que ele não denunciasse o esquema da fraude no Detran.

10. Walna Villarins Meneses gerenciava o caixa 2 durante a campanha e o atual governo.

Bem, se tudo isto é invenção de Lair Ferst, por que a governadora desistiu de processá-lo e não libera sua base para apoiar a investigação?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Reunião na OAB

Meio-deputados

Após reunião com o presidente da OAB, o deputado Gilmar Sossella (PDT) desabafou: "se a CPI da Corrupção for instalada, poderemos cumprir nosso papel de fiscalizar os atos do Executivo. Do contrário, continuaremos meio-deputados, pois seremos impedidos de exercer nossa função constitucional".

Osório quer a CPI

Mais uma Câmara Municipal se manifestou a favor da instalação da CPI da Corrupção na Assembleia. Desta vez, os vereadores de Osório aprovaram moção de apoio à criação da Comissão Parlamentar de Inquérito. A moção, proposta pelo vereador professor Denílson (PT), teve ainda como signatários os vereadores Valério dos Anjos e Luiz Ramos, ambos do PDT.

Segundo o texto, o Legislativo municipal expressa sua preocupação com a profundidade e abrangência das denúncias de corrupção divulgadas pela imprensa, envolvendo o alto escalão do governo estadual. “A sociedade gaúcha tem o direito de saber a verdade sobre a conduta dos seus representantes e nós, como poder legislativo, temos o dever de fiscalizar”, avalia Denílson.

Viamão quer a CPI

Cada um no seu quadrado

O Ministério Público Federal virou o alvo preferido das forças contrárias à CPI da Corrupção. Uns dizem que o MPF já está fazendo a investigação, portanto a CPI é desnecessária; outros cobram que o órgão se manifeste sobre a apuração para por fim às especulações vinculam dirigentes que fizeram ou fazem parte do primeiro escalão do Palácio Piratini com um conjunto de cimes cometidos contra o Estado.

A verdade nua e crua é que o MPF está fazendo o seu trabalho com a seriedade que lhe é característica. Quem não está cumprindo a sua função é o Poder Legislativo. Ao barrar a instalação da CPI, os deputados que se recusam a assinar o requerimento se tornam coniventes de réus confessos e contribuem para que a Assembléia Legislativa seja uma das instituições menos confiáveis aos olhos da população, conforme atesta recente pesquisa de opinião.

Sobrou até para o holismo

Conhecido por ser adepto da filosofia holística, o deputado Giovani Cherini (PDT) apelou para os princípios da doutrina para justificar sua posição contrária à CPI da Corrupção. “Minha orientação de vida não permite o confronto”, disse a jornalistas que acompanhavam a sessão desta tarde na Assembleia.

Talvez o pedetista pertença a alguma facção desconhecida do holismo. Originalmente, o holismo prega a evolução, a integração, a importância de compreender a realidade e agir para melhorar o mundo.

Ser contrário à investigação das denúncias de corrupção que atingem o governo gaúcho é praticar a antítese do holismo – o egoísmo e o individualismo - talvez a verdadeira vocação de Cherini.

Enrolação tucana

A reação do governo Yeda às denúncias publicadas pelo jornal Zero Hora se resume a repetir que se trata de 'fato requentado' e à cobrança de provas. Se os fatos foram requentados, isso só ocorreu porque, até agora, a governadora não explicou nenhum deles. E quanto às provas exigidas pela governadora, é fácil obtê-las e encerrar o assunto. Basta que sua base aliada assine o pedido de CPI, que é o instrumento adequado para investigar e verificar se as denúncias têm ou não cabimento.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Conexões

Parte das denúncias que Lair Ferst teria feito ao Ministério Público Federal e que foram publicadas na edição desta segunda-feira do jornal Zero Hora está no depoimento que Marcelo Cavalcante estava preparando para o MPF. A confirmação é da própria viúva do ex-chefe do escritório de representação política do Rio Grande do Sul em Brasília.

Ao saber da matéria da ZH, a empresária Magda Koenigkan reiterou que encaminhou ao MPF toda a documentação reunida por Cavalcante sobre as denúncias. Tudo indica que Marcelo Cavalcante falaria tudo o que sabia sobre as irregularidades cometidas durante a campanha de Yeda Crusius e depois, quando a tucana passou a governar o Estado.

Marcelo e Lair eram amigos íntimos. O primeiro foi encontrado morto antes que pudesse fazer qualquer tipo de esclarecimento. Mas Lair e Magda querem falar. Convidada pelo deputado Paulo Azeredo a participar de uma audiência na Assembleia, Magda aceitou. A reunião estava sendo acertada para esta semana, mas a data ainda não está confirmada.

PSOL vai pedir bloqueio dos bens do casal Crusius

Em entrevista coletiva concedida nesta tarde, a deputada Luciana Genro (PSOL) anunciou que o partido vai pedir o bloqueio de bens do casal Yeda/Carlos Crusius e de Delson Martini, ex-secretário-geral do governo gaúcho. Conforme Luciana, o PSOL também reforçará o pedido de impeachment da governadora. "Só com o afastamento da governadora poderemos esclarecer tudo o que precisamos saber", entende Luciana.

Na próxima quarta-feira (8), Luciana, o vereador Pedro Ruas e o presidente estadual do PSOL, Roberto Robaina, irão a Santa Maria entregar um dossiê à juíza Simone Barbisan Fortes, responsável pelo julgamento dos indiciados pela Operação Rodin, que investigou a fraude no Detran. O ex-secretário Delson Martini é um dos indiciados.

Autismo

Quem esperava uma resposta potente do Palácio Piratini às três páginas de denúncias publicadas nesta segunda-feira (6) pelo jornal Zero Hora, certamente, se frustrou. A nota emitida pelo governo Yeda não explica nada. Pelo contrário, reforça as suspeitas que recaem sobre membros do primeiro escalão do governo tucano.

O comunicado afirma que "não há nada de novo na divulgação do referido jornal e que todas as supostas denúncias são fatos já mencionados no passado". Não é bem assim. As denúncias apresentadas por Lair Ferst ao Ministério Público Federal são recheadas de detalhes sobre a atuação de figuras públicas no desvio de recursos públicos e na administração do caixa dois da campanha da governadora. Só o mesmo o autismo governamental para negar que o lobista colocou na mesa peças fundamentais para concluir o quebra-cabeças do esquema fraudulento que alavancou a vitória tucana e se enraizou no governo de Yeda.

Igualmente simplória é a forma com que a compra da mansão de Yeda continua sendo tratada. Embora a denúncia tenha sido arquivada pelo Ministério Público Estadual, o ex-procurador geral Mauro Renner admitiu que o órgão pode tirar o caso da gaveta mediante a existência de fatos novos. Parece que o depoimento de Ferst cumpre este papel. Segundo o lobista, o imóvel custou R$ 1 milhão. R$ 750 mil constam no contrato e R$ 250 mil foram pagos por fora em dinheiro vivo.

A revelação remete ao termos da petição encaminhada pelo PSOL, no início do mês, ao Ministério Público de Contas, informando que a mansão da governadora tinha sido vendida por R$ 1 milhão antes do negócio ter sido selado com o casal Crusius.

Não tem fumaça sem fogo

Para o deputado Dionilso Marcon, as notícias veiculadas na imprensa hoje comprovam aquilo que a sociedade gaúcha já desconfiava, com um agravante: são os próprios amigos da governadora Yeda Crusius e participantes ativos da campanha tucana que denunciam o uso de caixa 2 em 2006. "Onde tinha fumaça foi encontrado o fogo. Não há mais razão que justifique que alguns deputados estaduais não assinem o pedido de CPI", sustenta o petista.

Audiência com a OAB

Deputados favoráveis à criação da CPI da Corrupção na Assembleia Legislativa terão audiência amanhã com a direção da OAB. Os parlamentares irão reforçar o pedido de apoio da entidade à criação da comissão.

Por que o PMDB não assina a CPI

Foi por terra o argumento usado pelo PMDB para não assinar a CPI. Até agora, a bancada peemedebista vinha colocando como condição para aderir ao requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito o surgimento de “fatos novos”. Parece que o lobista Lair Fers se encarregou de entregar ao Ministério Público Federal material farto de novidades, inclusive, envolvendo cardeais do partido do senador Pedro Simon, sempre vigilante quando se trata do uso do dinheiro público.

Segundo Ferst informou ao MP, o deputado Luiz Fernando Záchia (PMDB), ex-chefe da Casa Civil do governo Yeda, também foi beneficiado pelo esquema que desviou mais de R$ 44 milhões do Detran. Záchia também é apontado, junto com o seu colega Alexandre Postal, secretário de Transportes do governo Rigotto, como beneficiário da relação irregular mantida pelo Daer com a empresa Perkons, responsável pelos pardais instalados nas rodovias gaúcha.

Isso que Lair nem citou a relação dos deputados Eliseu Padilha, Alceu Moreira e Marcos Alba com as empresas acusadas pela Polícia Federal na Operação Solidária de armar um esquema para fraudar licitações de obras de infraestrutura sob responsabilidade do governo Yeda.

Fatos novos é que não faltam. A escassez é mesmo de coragem.

CPI já

Depois de ler a matéria publicada hoje no jornal Zero Hora - contendo a síntese das denúncias feitas por Lair Ferst ao Ministério Público Federal - o grupo de deputados que condicionava o apoio à CPI da Corrupção ao surgimento de um fato novo deve assinar o requerimento para instalação da comissão. Pelo menos, é assim que pensa o líder da bancada petista na Assembleia.

Pela gravidade das denúncias de Ferst, Elvino Bohn Gass não cogita a hipótese da CPI continuar sendo barrada pela falta de duas assinaturas. "É impossível que, depois de tomarem ciência de teor das acusações, alguns deputados não voltem atrás e permitam a investigação", entende o petista.

Para Bohn Gass, Lair Ferst deve ser o primeira testemunha chama a depor quando a CPI for criada. "O advogado de Ferst já anunciou que seu ciente só falará sobre o tema nas instâncias adequadas, entre elas uma CPI na Assembleia. Portanto, a responsabilidade de elucidar este emaranhado de denúncias e colocar um ponto final na rede de corrupção que se infiltrou no Estado também é nossa. Não dá para a Assembléia se omitir nesta hora sob pena da desmoralização total", avalia o petista.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Constrangimento geral

Um leitor ironiza, dizendo que chegou a procurar no Aurelião o significado da palavra suspeição, já que no governo tucano esta condição é sinônimo de proteção.

Desde o início da gestão de Yeda Crusius no Palácio Piratini, a governadora tem se encarregado, pessoalmente, de proteger secretários e assessores acusados de participação em fraudes, devio de recursos públicos, violação de dados confidenciais, entre outras irregularidades.

Foi assim com os envolvidos na fraude do Detran e está sendo assim com Walna Menenes, assessora particular da governadora. Para defender Walna, Yeda não vacilou em desautorizar o secretário de Transparência - que sugeriu a saída de Walna do Palácio - e anunciou a intenção de manter a servidora.

O constrangimento no governo é geral.

Ofício à Casa Civil

O líder da bancada do PT na Assembléia, Elvino Bohn Gass, encaminhou ofício à Casa Civil solicitando, formalmente, acesso ao documento produzido pelo secretário da Transparência sobre o caso Walna Meneses.

Apesar da imprensa já ter divulgado que Carlos Otaviano Brenner de Moaraes pediu o afastamento da assessora da governadora e a abertura de uma sindicância para apurar por que Walna teria um relacionamento tão estreito com a lobista Neide Bernardes - apontada pelos policiais federais responsáveis pela Operação Solidária como representante das empreiteiras suspeitas de integrarem o esquema organizado para fraudar licitações públicas - o Poder Legislativo não foi comunicado oficialmente das conclusões do secretário.

Ontem, o deputado Paulo Azeredo (PDT) já tinha cobrado o envio do documento à Assembléia.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Os intocáveis


Até o momento, a Assembleia não foi comunicada oficialmente das providências encaminhadas por Carlos Otaviano Brenner de Moraes para o caso Walna Meneses.

Segundo a imprensa, o secretário de Transparência está propondo o afastamento da assessora especial da governadora e a abertura de sindicância para apurar a ligação de Walna com Neide Bernardes, apontada pela Polícia Federal como integrante de um esquema montado para fraudar licitações públicas. As duas foram flagradas em conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial.

Otaviano anunciou que já entregou suas conclusões ao chefe da Casa Civil, mas o documento ainda não chegou à Assembleia.

O deputado Paulo Azeredo (PDT) considera o fato um desrespeito com o Legislativo e cobrou o envio do material nesta tarde.

Azeredo também quer saber por que, até agora, nenhuma atitude foi tomada contra o chefe de gabinete da governadora, Ricardo Lied, flagrado violando dados sigilosos do Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança.

Feijó diz que governo blinda denúncias


Durante visita ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ivar Pavan (PT), nesta quarta-feira (1º), o vice-governador do Estado, Paulo Feijó, reiterou seu apoio à criação de uma CPI para investigar as denúncias de corrupção que envolvem o governo do estado. “Se o nosso governo agisse como eu tenho agido, de buscar a transparência de cada fato, não haveria esta necessidade. Mas como o governo vem blindando tudo que diz respeito às denúncias, não vejo outro caminho para uma resposta adequada à sociedade senão uma CPI”, afirmou.

Cérebro e incongruências


"Eu tenho cérebro, mas apoio este governo (Yeda). Não vejo nenhuma incongruência". Frase do deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB), dita na sessão plenária de hoje, durante o discussão do projeto que cria o plano de carreira dos funcionários da Susepe.

"Há controversia", rebateu outro parlamentar.

Magda confirma vinda na AL


Magda Koenigkan, viúva de Marcelo Cavalcante, aceitou o convite do deputado Paulo Azeredo (PDT) para falar na Assembléia Legislativa. Conforme o parlamentar, o depoimento deve acontecer na próxima semana, terça ou quinta-feira.

Até hoje, as circunstâncias da morte do ex-chefe do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília não foram esclarecidas. Apesar do seu corpo ter sido encontrado boiando no Lago Paranoá, na capital federal, e do aparente suicídio, o laudo do IML não foi conclusivo quanto às causas da morte.

Sabe-se, ainda, que Cavalcante tinha depoimento marcado no Ministério Público Federal, que está investigando denúncias irregularidades envolvendo a campanha e governo do PSDB.

Magda Koenigkan disse que entregou documentos que Cavalcante usaria em seu depoimento ao MPF.

Deslealdade


A governadora Yeda Crusius não está fazendo jus ao apoio que tem recebido da bancada do PMDB na Assembléia. Ao apresentar o balanço dos 30 meses de seu governo, ela chutou as canelas dos seus aliados pelo menos duas vezes. A primeira, quando afirmou que assumiu um Estado quebrado; a segunda quando - em seus habituais ataques de egocentrismo - não dividiu com ninguém os méritos daqueles resultados que ela identifica como positivos na sua gestão.

O deputado Ronaldo Zulke (PT) foi hoje à tribuna comentar a rasteira aplicada por Yeda na maior partido da base do Piratini no Legislativo. Ontem, o ex-chefe da Casa Civil no governo de Germano Rigotto, deputado Alberto Oliveira, já tinha manifestado sua indignação.

Documentação incompleta


O relatório sobre as licitações das barragens de Jaguari e Taquarembó, encaminhado pelo Palácio Piratini à Assembléia Legislativa por solictação da bancada do PT, está incompleto. Conforme assessores da bancada petista que estão analisando a documentação, faltam 135 páginas referentes à habilitação da empresa MAC Engenharia para a construção da barragem de Taquarembó.

Segundo as denúncias feitas pelo PSOL, em fevereiro deste ano, a MAC Engenharia teria doado R$ 500 mil para a campanha de Yeda Crusius ao governo gaúcho, ato presenciado por integrantes da coordenação de campanha tucana como Lair Ferst, Marcelo Cavalcante e Chico Fraga.