sexta-feira, 24 de julho de 2009

Fragilidade estrutural ou espírito do mal?


Interessante a abordagem que o Blog Diário Gauche faz de matéria publicada ontem (23) pelo jornal Zero Hora sobre o Detran. Segue o comentário:

"Quando um jornal não quer informar, faz como Zero Hora. Vejam a matéria intitulada “Uma autarquia do barulho”, na edição de hoje do diário da RBS. Além de se tratar de um texto escrito com o dedão do pé, parece alguma coisa sobre bloco de sujo do carnaval. O Detran é do “barulho”, para o jornal ZH. Que meiguice.

É uma “missão espinhosa” para o Palácio Piratini (o sujeito da oração é o Palácio, pasmem) manter alguém à frente do Detran.

“As conclusões da Operação Rodin indicaram uma fragilidade estrutural, que ajuda a explicar por que os presidentes do Detran não duram muito tempo no cargo”. Fragilidade estrutural? Os caras roubam quase 50 milhões de reais e o jornal (desinformativo) chama de “fragilidade estrutural”. Só falta constatar que há um feitiço no Detran, e por esse motivo – plenamente justificado, à luz da razão e de métodos científicos avançados –, os presidentes da autarquia são ejetados de suas cadeiras institucionais. “Especulações mais ousadas apontam que pode tratar-se da existência de pregos na cadeira da presidência do departamento encarregado do trânsito” - poderia ser uma linha de trabalho do jornal ZH, emprestando um ar misterioso à edição de hoje.

Mais adiante, o texto fica mais atrevido: “Pela tese dos agentes federais, grupos criminosos se apoderaram de determinados contratos...”.

Que coisa! Sério, agentes federais constroem teses? Grupos criminosos se apoderam de contratos? Tudo muito estranho. Que grupos criminosos seriam esses? Seriam gangues de “bebês japonêses”? Seriam quadrilhas de “bêbados de porta de bar”? Ou talvez “comunistas infiltrados”, os mesmos que teriam provocado a morte de Marcelo Cavalcante, segundo o primeiro-ex-marido, Carlos Crusius? Pode tratar-se, também, de “perseguidores macarthistas”? Ou os “inimigos do déficit zero”? Ou a temível máfia dos “montadores de frágeis palanques” que há semanas cometeram um atentado covarde contra a governadora? Quem sabe as "torturadoras de criancinhas"?

Muito bem. Nós fizemos a nossa parte. Apontamos diversos suspeitos de terem se apoderado de “determinados contratos” do Detran.

Que tal, agora, os editores do jornal ZH reunirem dois ou três dos seus consagrados repórteres investigativos e mandá-los a campo para que nos revelem a verdade límpida e fria sobre o Detran/RS?

Mal podemos esperar."

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