quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Eu não vou me incomodar por R$ 50 mil", diz Yeda a Lair


Na sessão desta quinta-feira da CPI, a presidenta Stela Farias disponibilizou mais quatro áudios para serem ouvidos pelos membros da comissão. Dois são de conversas entre Lair Ferst e Marcelo Cavalcante. Outros dois são diálogos entre Flávio Vaz Netto e Antônio Carlos Maciel e entre Flávio Vaz Netto e Sérgio de Araújo, assessor do PP.

Esta é a transcrição na íntegra da primeira gravação

Lair Ferst – Marcelo, olha eu tô preocupado cara, não tenho notícia nenhuma. Será que aquela carta sumiu, que é que aconteceu?? não tenho visto nenhuma providência, não tenho visto nada; os cara tão nadando de braçada aí.. o troço tá correndo solto..

Marcelo Cavalcante – eu posso te falar uma coisa, ó; sabe como é que é. Não tá muito fácil falar com a Governadora hoje. As oportunidades que eu tenho de falar com ela, é quando ela vem, quer dizer, quando ela vai a Brasília, ou quando eu venho à Porto Alegre. Entendeu.. então quer dizer, a semana passada, no final da semana passada, ele teve lá em Brasília e aí, em função dessa, dessa tua preocupação que é minha também, não é.. eu perguntei pra ela: “Governadora, como é que tá aquela questão da carta lá e tudo mais.. e tá.. teve alguma, a Senhora teve alguma resposta; que providência que foi tomada e tá..” .. ela falou prá mim o seguinte, ó: “ Marcelo, fica tranquilo, não te preocupa, tá tudo certinho, tudo encaminhado, as providências todas tomadas, já tomei,” entendeu?? .. “não te preocupa.. não te preocupa”; tu sabe como é que é, né Lair, é.. é.. nesse fogo cruzado aí, que a gente tá vivendo aí, não dá pra gente ficar muito em cima, então quer dizer.. Ela sabe muito bem das.. das minhas preocupações, entendeu, e eu me preocupo sempre com o Governo.

Lair Ferst – tu acha que ela não vai tomar nenhuma medida enérgica.. – incompreensível – porra.. ela tinha que abrir uma sindicância, uma auditoria, uma.. sei lá.. ela tinha que.. fazer alguma coisa.. pô..

Marcelo Cavalcante – não.. eu também acho, mas, na minha opinião.. que é que tá acontecendo.. como ali envolve, tá.. os principais partidos da base dela.. eu não sei de que forma tá sendo tratado isso. Alguém deve tá trancando isso. Alguém deve tá trancando, é como eu tô te falando. Como tem os principais partidos da base, a situação é complicada. Então, o que não pode acontecer é deixar do jeito que tá.

Lair Ferst – eu.. eu.. ouvi falar que o Flávio Vaz Netto tá aí de reuniãozinha com o Chico, com o Crusius, aí.. no Palácio e tal.. Tá tendo uma movimentação grande aí em relação a isso. Será que não é isso que tá trancando??

Marcelo Cavalcante – eu inclusive.. eu inclusive.. é.. é.., em várias ocasiões, não sei se é coincidência, o que é que é.. tá.. eu tô ali no Palácio ali, eu geralmente fico na ala residencial. A não ser quando tem alguma coisa lá em cima lá, a Governadora chama todo mundo e a gente vai.. mas quando eu venho, venho pra trabalhar.. entendeu, fico na ala residencial, e já me encontrei várias vezes ali.. o Flávio acompanhado de várias pessoas, e eu, tu sabe como é que é, não conheço todo mundo. Não conheço todo mundo. E tu conhece. Mas são.. ele tá sempre rodeado de três ou quatro pessoas ali; e o Crusius sempre junto. Ele vem sempre, sempre as reuniões aí, eu já vi lá, inclusive até.. chegar e abrir porta de sala de reunião.. não, tá lá reunido.. não, e tá, desculpa aí e tá.. (Lair Ferst – e o Chico sempre junto..) também .. também.. (Lair Ferst – é brincadeira..).. é o mesmo grupo. (Lair Ferst – .. agora olha Marcelo).. é o mesmo grupo. Não sei qual é o objetivo ali.

Lair Ferst – eu tô achando muito estranho e vou te falar porque. eu.. ah, fui conversar pessoalmente com ela.. entre.. ah.. várias conversas que eu tive com a Governadora, aliás aquela agenda que tu marcou pra mim, eu fui falar com ela..

Marcelo Cavalcante – é, mas aquilo lá, aquilo lá.. inclusive aquela agenda lá.. não foi fácil. Tá, foi uma pressão grande, é.. inclusive quem agendou até ficou fora.. fora da agenda, foi a Tânia. A Tânia que.. a Tânia que era na época.. a Tânia era responsável pela agenda, tu lembra, né.. (Lair Ferst – sim.. sim..) a esposa do Fona.. (Lair Ferst – sim, do Beto Fona).. do Fona.. é.. aí a Tânia (Lair Ferst – é.. eu tô conversando com a Governadora e ela abriu a porta ali, botou a cara na porta ali..) é.. a Tânia que agendou e tal.. entendeu..

Lair Ferst – agora o que.. o que me chamou a atenção.. o que é que eu tô achando muito estranho, por exemplo, a Governadora, eu relatei pra ela, “olha Governadora, vai ocorrer um escândalo no seu governo, se a senhora não agir rapidamente isso vai se tornar público.. o que tá acontecendo é irregular.. tão sacando dinheiro vivo na boca do caixa.. em quantidades assim, é que.. alarmantes..”.. e ela disse “olha Lair, o negócio é o seguinte, é muito complicado isso porque isso envolve os partidos.. e eu não quero me incomodar com os partidos”.. aí ela disse ali.. “não, ainda é o seguinte ó, vieram me falar aqui que vão me dar cinquenta mil por mês. Eu já disse ó, cinquenta mil eu não quero. Eu não vou me incomodar dessa maneira aí por cinquenta mil. Se for pra ganhar só cinquenta mil eu vou acabar com tudo. Porque pelo que eu tô sabendo parece que eles tão recebendo muito dinheiro.” (Marcelo Cavalcante – e tu detalhou pra ela..).. Eu detalhei pra ela, “olha Governadora o que tá acontecendo.. é o seguinte, o que tá acontecendo.. é uma farsa, é uma fraude, enfim, eu acho que tinha que tomar providência”, só que eu, vou te falar bem a verdade, eu senti um ar, um ar assim, um comportamento assim, muito estranho, porque eu disse “olha, isso aí pode dar processo, pode dar confusão”.. e pode dar.. “Ah todo mundo processa.. isso aí é.. todo mundo fala que vão processar.. mas no fim não dá nada”. Sim, então eu acho que por aí , viu Marcelo, não vai acontecer nada. Por aí eu tenho a impressão que não vai acontecer nada.

Marcelo Cavalcante – é.. e quem que tá nisso aí, além do Flávio, assim, como é que tu sabe, eu não conheço muito bem os caras aí.. eu sei que.. que são gente dos principais partidos da base..

Lair Ferst – olha.. aí tá.. aí tem o José Otávio.. que tá por trás o José Otávio, o Záchia tá por trás.. é o PP e o PMDB.. (Marcelo Cavalcante – é, por trás do Záchia tem lá o Herm..., o Hermínio...) .. é.. o Hermínio.. o Hermínio é um aliado do Záchia.. é diretor lá, né.. O José Otávio que indicou o Flávio.. então, isso aí tudo, aliás.. é importante até dizer o seguinte, né: o José Otávio só intermediou aquela história dos quatrocentos mil lá de Santa Cruz, prá ficar com o crédito prá indicar o Flávio Vaz Netto para presidente do DETRAN, né.. (Marcelo Cavalcante – é...). Então na verdade o José Otávio só entrou naquela história, dos quatrocentos mil reais, que foi arrumado lá com as fumageiras.. prá poder ficar com crédito político e indicar o presidente do DETRAN. Aliás, na verdade, até deu um golpe no próprio Bira que era o cara que ajudou ele a vida toda.. né, deu.. passou a perna no Bira e indicou o Flávio Vaz Netto. Quer dizer, aí alguma coisa tem no ar.. tem alguma armação aí.. . O João Luiz Vargas que é o presidente do Tribunal, tá junto. É um.. é muito amigo do Maciel. O, o João Luiz foi presidente da Assembleia e o Maciel foi Diretor-Geral..

Marcelo Cavalcante – o problema é o seguinte, o que eu sei.. tá, é que várias e várias pessoas vem relatando pro Delson, tá.. com relação ao Maciel. Né.. e.. pelo que eu tô sabendo.. os dois.. (Lair Ferst – incompreensível – .. os dois).. independente de.. – incompreensível – na diretoria do Zé.. independente disso aí.. (Lair Ferst – tão emparelhado os dois..) e tão os dois lá, entendeu.. e tudo mais.. (Lair Ferst – ..tão tocando por música.. lá).. E outra coisa também que eu ouvi falar.. isso aí eu não tenho como confirmar também.. porque a gente.. a gente tá lá em Brasília, mas a gente escuta tudo.. e até a própria bancada aí, muito deputados e até senadores que vem nos relatar, até com.. de uma forma.. de uma certa preocupação também .. tá.. é que o Maciel vai lá, faz a cabeça do Delson.. o Delson leva prá Governadora como fato concreto.

Lair Ferst – é.. eu vou te dizer pra ti o seguinte, o que é que.. o que é que eu sei: o Flávio, lá no gabinete dele, lá no DETRAN, mandou me chamar lá.. inclusive eu notei que o Flávio tava muito chateado.. muito nervoso.. muito contrariado.. (Marcelo Cavalcante – .. lá no DETRAN?) .. lá no DETRAN, lá no gabinete dele.. e disse o seguinte: que.. que fizeram um acordo aí, um acordão aí pra distribuir aí valores dentre eles aí.. e, tinha ficado acertado que a parte da Governadora seria cento e setenta mil reais. Bom.. aí diz que entregou os cento e setenta mil reais no primeiro mês. No segundo mês já veio o Delson, porque no primeiro mês foi o Bordini que recebeu os cento e setenta mil no gabinete do João Luiz Vargas, lá no tribunal de contas. (Marcelo Cavalcante – então, mas o que é que.. porque no gabinete do João Luiz Vargas?).. não, porque o João Luiz tá junto nesse grupo aí.. porque o João Luiz aí que.. (Marcelo Cavalcante – tu não acha que.. justo no gabinete dele, isso aí é brincadeira.).. eu acho.. que.. (Marcelo Cavalcante – os caras tão abusando, né..) eu acho que eles tão abusando, né.. então o que é que acontece.. o João Luiz como tá no grupo.. e parece que o pessoal do Palácio, como o Flávio diz, o pessoal do Palácio que o Flávio diz é o Crusius.. é o Delson, é a Governadora, é a Valna.. disse essa turma do Palácio é muito gananciosa.. cada mês eles querem mais; primeiro mês foi os cento e setenta mil entregue no gabinete do João Luiz Vargas lá pro Bordini. O Bordini recebeu. Aliás até sobre isso, o seguinte, ó: no outro.. eu fiquei sabendo.. o Flávio me contou isso aí.. no outro dia eu fui lá na.. na.. no gabinete do Bordini.. lá no banco.. disse: “olha Bordini.. fiquei sabendo que tu recebeu ontem cento e setenta mil reais em dinheiro vivo.. (Marcelo Cavalcante – olha, porque o Bordini é o seguinte..).. prá Governadora” .. (Marcelo Cavalcante – .. é um cara cem por cento..) .. é.. mas ingênuo, mas ingênuo.. (Marcelo Cavalcante – mas principalmente pra esse tipo de coisa aí..) é.. é.. aí quando eu disse pra ele que ele tinha recebido cento e setenta mil que eu tinha ficado sabendo, né.. que ele tinha recebido cento e setenta mil reais no gabinete do.. do.. João Luiz Vargas .. ele saltou prá trás, “mas como é que tu sabe.. como é que tu sabe disso?”.. Digo, “olha, quem me falou foi o Flávio. (Marcelo Cavalcante – é os caras...) disse que ontem tu recebeu”.. Aí ele me disse, “ não, não quero mais saber disso, porra, isso aí vai me complicar, vou passar essa bola pro Delson”... Bom, aí.. a partir daí o Delson ficou de operador lá.. Aliás, daí então se juntou o Delson com o Maciel.. aí ficou fácil de eles trabalhar.

Marcelo Cavalcante – é aquela estória, volto a repetir pra ti.. o que eu escuto falar.. é que é o seguinte.. o Maciel, até por ser cobra criada.. tá lá fazendo a cabeça do Delson.. influenciando.. e o Delson leva a estória pra Governadora como se fosse a verdade. E os caras aí são complicados.

Lair Ferst – é.. muito complicado. É, isso aí, tu sabe onde é que vai terminar. Eu já falei.. Eu escrevi na carta, eu escrevi .. eu escrevi na carta desde o início eu escrevi aquela carta, eu disse na carta o que é que ia acontecer. Tomara que não aconteça. Mas é muito difícil. Do jeito que eles tão trabalhando aí.. vai ser muito difícil. (Marcelo Cavalcante – é não.. parece que a Governadora..).. e o pior que a Governadora, ela.. ela dá sinais que tá concordando com tudo.

Marcelo Cavalcante – e.. e.. como eu te falei no passado. É .., é.. não sei se porque estão envolvidos os partidos da base, os principais partidos da base e tudo mais.. mas independente de tudo isso aí ela não pode ficar refém disso.. senão.. senão.. não vai rolar.

Lair Ferst – mas ela.. mas ela dá a impressão que tá refém, viu.. Ou tá refém ou ela tá gostando de recebendo essa grana aí que tá entrando, viu.. (Marcelo Cavalcante – mas.. mas será que tá chegando pra ela mesmo? Ou eles tão alí passando a mão) Não, olha.. o que o Delson.. aliás o que o Flávio me disse que ela sabe de tudo.. ela sabe detalhe por detalhe.. ela acompanha nos mínimos detalhes tudo.. então, a operação é o seguinte, o Bordini recebeu o primeiro mês, entregou lá no Palácio, entregou pra Valna, né, o Delson tá recebendo do Maciel lá no gabinete dele na CEEE, entrega também pra Valna.

Marcelo Cavalcante – pelo fato d'eu conhecer bastante a Governadora, veja bem, ela geralmente nesse tipo de situações aí.. ela não aparece, ela bota alguém.. Tendo o Delson a frente disso aí.. (Lair Ferst – o Delson é um laranja dela, né Marcelo..) tendo o Delson aí.. tá explicado. (Lair Ferst – o Delson na verdade tá funcionando como um laranja, né..) e.. e.. sumiu, né.. tá deixando todo mundo de lado aí.. (Lair Ferst – virou grandão, né..).. prá falar com ele já é.. já não se consegue mais.. entendeu, tá escondido, né.. até.. até.. veja bem, até nada pra pedir nada.. mas simplesmente não está.. tá difícil.

Lair Ferst – mas eles não querem saber de alerta... encerra a gravação

Um comentário:

Anônimo disse...

Crusius Credo! que máfia desgraçada essa que está assaltando o RS! Não resta a menor dúvida é um quadrilha e não um governo que administra (?) O Rio Grande. Que baixaria!
mariah